Plataforma on-line ajuda indústrias a economizar água

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No cenário de crise hídrica que ronda em maior ou menor grau diferentes atividades econômicas, a solução não raro é o investimento em medidas paliativas e emergenciais contra o colapso no abastecimento - risco que em casos extremos pode resultar em altos custos para as operações e, inclusive, tornar o negócio insustentável. Inovações são bem-vindas para quem planeja melhorar práticas na perspectiva do médio e longo prazo, incorporando a gestão da água como diferencial competitivo e estratégia de geração de valor, replicável entre pequenos negócios nas cadeias produtivas de grandes empresas.

É o caso da plataforma on-line Saveh (Sistema de Autoavaliação de Eficiência Hídrica), destinada a ajudar gratuitamente indústrias de menor porte a economizar água, com base no modelo de gestão aplicado pela fabricante de bebidas Ambev.
"Como o tema é central para o setor, nos últimos anos a empresa desenvolveu expertise para aumento da eficiência interna e depois foi além das operações industriais, trabalhando junto a gestores de bacias hidrográficas e organizações não governamentais visando garantir a disponibilidade hídrica", afirma o diretor de relações corporativas, sustentabilidade e comunicação da empresa, Renato Biava.

Para definir novas melhorias, foi criado um comitê de especialistas que propôs compartilhar o aprendizado da companhia na gestão da água com empresas que demandam conhecimento sobre o tema e têm dificuldade de investimento em soluções, a exemplo das pequenas e médias.

De fácil aplicação, a plataforma parte de um questionário customizado que avalia o uso da água tanto na linha de produção como nas demandas periféricas de rotina, como nos escritórios e nos refeitórios. Após identificação dos pontos de melhoria, um plano de ações é traçado para o alcance de resultados a curto, médio e longo prazo na pegada hídrica.

Vinculada ao CEO Water Mandate, comitê de água da ONU empenhado em lidar com o problema da escassez de água e a falta de saneamento, a iniciativa foi desenvolvida com apoio da Fundação Avina e Carbon Trust. Atualmente, um grupo inicial de 25 empresas - a maioria da cadeia de fornecimento da cervejaria - recebe consultoria técnica para o plano de gestão hídrica e monitoramento de seus impactos na redução de desperdícios. Em paralelo, o sistema está aberto ao credenciamento de novos usuários, com a expectativa de beneficiar negócios nas várias regiões brasileiras, potencializando os ganhos ambientais do trabalho desenvolvido internamente na companhia, cujo índice de consumo de água diminuiu mais de 40% desde 2002.
Em 2015, por exemplo, a Ambev reduziu para 3,2 litros o volume de água necessário para produzir 1 litro de bebida, meta que estava estipulada para ser cumprida até 2017.

As indústrias representam 15% da demanda hídrica no Brasil. Segundo dados da plataforma Saveh, a adoção de uma estratégia sistemática de gestão de água resulta na redução de pelo menos 30% no consumo, caso nenhuma medida de eficiência tenha sido implantada anteriormente. Um dos ganhos é a diminuição de custos - normalmente altos, porque a conta deve também considerar as despesas indiretas como as do bombeamento e tratamento da água.

De forma geral no mundo, as empresas conseguem atingir reduções de custo da ordem de 30% a 50% por meio de medidas de eficiência hídrica e assim, ao produzir mais com menos, se tornam mais competitivas. Segundo um alerta feito na plataforma, "estratégias para economizar água não são apenas uma questão de sustentabilidade ambiental, mas também de manutenção da atividade produtiva e, consequentemente, dos empregos nas fábricas".

O estudo "2016 Annual Report of Corporate Water Disclosure" indica: os riscos hídricos estão se materializando nos negócios, somando, no ano passado, US$ 14 bilhões em impactos, conforme dados reportados pelas empresas. O diagnóstico, realizado pelo Carbon Disclosure Program (CDP), organização que reúne 643 investidores institucionais com ativos de US$ 67 trilhões no total, aponta que as perdas financeiras atribuídas à escassez de água cresceram cinco vezes quando comparados com o ano anterior.

Soma-se a isso o desafio climático: pelos cálculos do CDP, 24% das atuais atividades em curso para reduzir emissões de carbono no mundo dependem do acesso à água para conseguirem obter sucesso. "A adaptação aos efeitos das alterações climáticas nos sistemas de água é elemento crucial de segurança corporativa", adverte o estudo.

*Publicado Originalmente em Valor Econômico

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